Alain: a propósito…

ALAIN, ou Émile Chartier (1868-1951), foi professor de Filosofia e escritor. Adotou o pseudônimo quando passou a escrever pequenos artigos diários para o jornal, sob o título de Propos – palavra que, do francês, poderíamos traduzir por ‘comentário’, ‘reflexões’…

Contudo, assim me parece, a raiz latina pede que ousemos traduzir tais Propos por uma locução: “A propósito” - e creio que assim não nos afastaríamos muito do propósito do professor quando escrevia. Pois era dos assuntos mais corriqueiros que ele escrevia, assuntos que ofereciam a oportunidade de pensar e refletir a respeito, “a propósito de”.

Por outro lado, ainda, um propósito revela uma intenção: e o professor não escrevia por escrever, por diletantismo. Pelo contrário, suas reflexões revelavam um espírito prático, que aponta para um quefazer que se inicia mesmo pelo exercício da reflexão. Os Propos de Alain renderam uma obra vastíssima, sobre os mais variados assuntos. Tenho comigo uma tradução brasileira esgotada há tempos (e lamentavelmente jamais reeditada por aqui) de seus Propos sur l’Education (Reflexões sobre a Educação, São Paulo, Saraiva, 1978, tradução de Maria Elisa Mascarenhas e revisão técnica e notas de José Aluysio Reis de Andrade).

À guisa de apresentação à obra, José Aluysio escreveu: “Os ‘Propos’ têm forma fixa, em torno de ‘duas páginas de papel de cartas’ e para ele [Alain] funcionavam como as regras de metrificação para o poeta. Foi dessa forma que, como jornalista-ensaísta-filósofo, escreveu a grande maioria de suas obras …”

Por certo, a restrição do tamanho do texto para o professor também se dava pelo espaço na página do jornal. Na edição em livro, cada propos não passa de duas páginas e meia. Mas desta restrição, Alain soube tirar grande proveito, com uma escrita ao mesmo tempo sintética e densa, mas aberta à reflexão do leitor. Ou melhor, e talvez este seja o propósito do autor, sua escrita é uma provocação para a reflexão do leitor.

A observação que traduzo, para efeito de estilo, é que, para um blog, se não sofremos das mesmas restrições de espaço físico para escrita, como em um jornal, por aqui também não nos caberá mais escrever além de seiscentas palavras – o que não é muito, nem pouco para quando se lê na tela de um computador.

Em tempo: encontrei disponível na internet o texto francês, aqui, além de outros textos do professor Alain.

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