“A Exploração Capitalista”

O texto que se segue foi uma das exposições mais didáticas – e de caso bem pensado, como se verá – que encontrei sobre a teoria da mais-valia de Marx. É de um folhetinho assinado por uma tal de Bertha Dunkel. As circunstâncias da circulação deste folheto, e de sua redação, são o assunto de um pequeno ensaio de Roberto Schwarz sobre o didatismo na literatura, tomando este textinho como um caso exemplar – ainda que criado como um artifício para ilustrar a tese. Continuar lendo “A Exploração Capitalista”

“O Manifesto do Partido Comunista”

Um texto fundamental. Pra começo de conversa, ler, anotar e discutir o Manifesto Comunista, a luz do seu próprio contexto histórico e também do nosso, reparando no que somos ainda semelhantes e no que nos distanciamos dele. Tal é o ponto de partida para uma leitura do texto.

E diria que é necessário, de tempos em tempos, sempre voltar a lê-lo, afastando-se entretanto de qualquer viés dogmático (e há quem o leia equivocadamente como se fosse livro sagrado…). É como o manifesto de fundação de toda tradição à esquerda, desde Marx, de onde podemos supor que nele ainda há algo de vigente. E há.

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Integração lar-escola

O professor José Mário Pires Azanha (1931-2004) foi quem escreveu a apresentação de um livrinho publicado por aqui em 1978 e infelizmente bem esgotado – trata-se de Reflexões sobre Educação (SPaulo: Saraiva), ou Propos sur l’éducation, publicado originalmente em francês em 1932, de Émile Chartier, mais conhecido e notabilizado pelo pseudônimo ALAIN (1868-1951). O título da apresentação brasileira ficou assim: “Alain ou a pedagogia da dificuldade” – o que sugere, de partida, que pedagogia não é mesmo coisa fácil, por um lado, e que enfrentar as dificuldades exige escapar das soluções simplistas, por outro.

Alain [Émile Chartier] (1868-1951)
Alain [Émile Chartier] (1868-1951)
Zé Mário, com a sobriedade que lhe era muito característica, traçava um panorama do ideário pedagógico de Alain – professor do ensino normal da República Francesa, em inícios do séc. XX. Continuar lendo Integração lar-escola

Um verbete: CIÊNCIA

Raymond Williams. Palavras-Chave: um vocabulário de cultura e sociedade. São Paulo, Boitempo, 2007, pp. 78 a 82. Tradução Sandra Guardini Vasconcelos.
Raymond Williams. Palavras-Chave: um vocabulário de cultura e sociedade. São Paulo, Boitempo, 2007, pp. 78 a 82. Tradução Sandra Guardini Vasconcelos.

Raymond Williams, um dos nomes de referência para os estudos culturais, elucida como o termo inglês (science) foi sendo usado ao longo do tempo e conformando o que entendemos hoje como ciência, pelas distinções relativas a outros termos e pela especialização que assimilou em seu significado.

É importante ressaltar, todavia, que o mesmo não ocorreu em língua francesa – e muito menos em português, em que usamos uma expressão estranha aos ouvidos de quem fala inglês: as tais “ciências humanas”…

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♪ “Another Brick In The Wall”, Pink Floyd

 

I

When we grew up and went to school
There were certain teachers who would
Hurt the children in any way they could
(oof!)
By pouring their derision
Upon anything we did
And exposing every weakness
However carefully hidden by the kids
But in the town it was well known
When they got home at night, their fat and
Psychopathic wives would thrash them
Within inches of their lives.

II

We don’t need no education
We dont need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave them kids alone!
All in all it’s just another brick in the wall.
All in all you’re just another brick in the wall.

We don’t need no education
We don’t need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave us kids alone
Hey! Teachers! Leave us kids alone!
All in all it’s just another brick in the wall.
All in all you’re just another brick in the wall.

“Wrong, Guess again! [2x]
If you don’t eat yer meat, you can’t have any pudding.
How can you have any pudding if you don’t eat yer meat?
You! Yes, you behind the bikesheds, stand still laddie!”

III

I don’t need no arms around me
And I don’t need no drugs to calm me
I have seen the writing on the wall
Don’t think I need anything at all

No! Don’t think I’ll need anything at all
All in all it was all just bricks in the wall.
All in all you were all just bricks in the wall.

Ensino de Libras: integração à cultura surda

O professor de Filosofia Eduardo Amaral discute a necessidade da educação bilíngue para surdos e a importância da difusão da Língua Brasileira de Sinais – Libras, inclusive para ouvintes.

Eduardo Amaral
Eduardo Amaral: “Por que é que ouvintes teríamos que aprender Libras? E eu responderia: E por que não?”

Atualmente, Eduardo atua como assessor parlamentar do vereador Toninho Vespoli (PSOL) na Câmara Municipal de São Paulo, acompanhando as reuniões da Comissão Permanente de Educação, Cultura e Esportes, da qual o vereador é membro. Quando Toninho foi designado relator do Projeto de Lei nº 90/2013, do vereador Jair Tatto (PT), que torna obrigatório o ensino de Libras para todos – surdos e ouvintes – desde a educação infantil, o  mandato foi advertido de que a comunidade surda não tinha pleno acordo com o projeto. “É preciso ter uma certa humildade no trabalho legislativo, de reconhecer que em certas matérias pouco ou nada sabemos; daí nosso esforço em estabelecer um diálogo mais estreito com quem sabe e vivencia estas questões no seu dia-a-dia, escutar suas demandas e críticas e incorporá-las em nosso repertório, o que também nos exige muita sensibilidade. É um processo de intensa aprendizagem”, diz Eduardo, que foi um dos responsáveis pela articulação e elaboração do substitutivo que Toninho apresentou à Comissão, aprovado na sua última reunião ordinária do ano, dia 11/12/13. Continuar lendo Ensino de Libras: integração à cultura surda

Por que somos contra a transferência compulsória?

Logo Toninho Vespoli 1

A “transferência compulsória” retoma uma prática que foi abandonada já há algum tempo pelas escolas exatamente por ferir o direito à educação de todas as crianças e que nunca foi capaz de responder aos verdadeiros motivos da indisciplina.

Do site do vereador Toninho Vespoli (PSOL), reproduzo a matéria a seguir, que ajudei a escrever, bem como o Parecer mencionado na matéria (com o devido link). — Atualizado em 28/11/13. Continuar lendo Por que somos contra a transferência compulsória?

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